O objetivo deste Blog é informar as pessoas sobre os mais variados assuntos, os quais não se vê com frequência nas mídias convencionais e ajudar a esclarecer duvidas sobre a nossa complexa realidade.
Aqui irei expor textos, reflexões, videos, imagens e etc. relacionados com os seguintes assuntos:
Psicologia, Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia, Sociologia e o funcionamento do sistema em geral.
Não esperamos que acreditem no que é apresentado aqui sem primeiro investigar por vocês mesmos, e nós insistimos que vocês o façam!
O que é postado aqui são apenas perspectivas e não "verdades absolutas", com isso quero dizer que não tentarei convence-los, mas estimula-los a irem além do que conhecem, ou acreditam conhecer.
Busquem informação e ajudem a dissemina-la! Com informação vem conhecimento, com conhecimento sabedoria, a sabedoria lhe aproxima da verdade.... e a verdade o libertará!
O conceito de Ego
pode significar muitas coisas dependendo de quem está falando, em uma visão esotérica seria o lado "problemático" da mente, aquele que sucumbe facilmente à ganância,
gula, luxúria, ódio, preguiça, inveja e vaidade/orgulho. Embora essa visão não esteja completamente errada, é uma perspectiva simplificada e reducionista, na verdade, o que chamamos de "eu" é uma estrutura mental que criamos para convivermos em sociedade.
O psicanalista Sigmund Freud idealizou o ego como sendo uma das três estruturas do seu modelo de aparelho psíquico. O ego desenvolve-se a partir do Id com o objetivo de mediar os impulsos provenientes do inconsciente, levando em consideração as demandas e limitações impostas pelo "mundo externo". O ego faz isso através de mecanismos de defesa, que extravasão ou redistribuem a energia psíquica. Na psicanalise o ego não é completamente consciente, os mecanismos de defesa fazem parte de um nível inconsciente e não temos total controle sobre eles.
Já seu discípulo, e eventual dissidente, Carl Jung usou o termo "ego" para definir uma parte da psique humana, a qual se encontra dentro de uma estrutura maior. Um dos principais conceitos de Jung e, pode-se dizer, o objetivo de todo homem para ele, é o da individuação, que seria um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema, por isso é tão importante manter a comunicação e o equilíbrio do eixo ego-Self.
Mind Throne by Justin Slattum
Quando
vemos o ego como algo "problemático" o que sentimos imediatamente é a
vontade de separa-lo, exclui-lo, mas isso só ira gerar mais conflito. O
ego, apesar de ser uma ilusão, não é um inimigo, a não ser que você faça ele um. Ele é apenas um
processo mental, o problema é quando criamos um senso de identificação rígido e obsessivo, fazendo isso
acabamos por dar boa parte do nosso poder para essa ilusão ditar o que devemos pensar, sentir e ser,. O que precisamos fazer é tomar consciência da
estrutura mental que construirmos, e podemos fazer isso de maneira
eficiente através da auto-observação, ou qualquer tipo de observação,
pois tudo que vemos nos outros, e até mesmo nos padrões da natureza, faz parte da nossa essência, o que nós realmente somos é uma forma de extensão da existência em si. Compreender isso que é transcender o ego, não é destruí-lo, mas entender porque ele existe, e usa-lo com sabedoria. O ego é um bom servo, mas um péssimo mestre.
Break Free by Donnyhood
Ao notar uma possibilidade de sua existência não ser "verdadeira" (no sentido de ser impermanente), ou ao se encontrar com algum evento contrário a sua perspectiva, o ego assume uma postura de reação e ataque, negando persistentemente qualquer outro braço do fractal universal. Deste modo, o intelecto não pode incluir nada em seu campo de existência que vá contra aquilo que já está condicionado em seu interior.
Se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, da totalidade, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos e/ou convenientes. A mente consciente opera em padrão de seleção e deleção de informação, não há como ela processar tudo. Portanto, se você crê estar vendo o todo, seja o todo universal, ou todo pessoal, então está limitado a percepção egocentrista, que se diz conhecedora da verdade. Todavia, a natureza da mente é fragmentada, ou seja. se enxerga como uma parte separada da existência, do todo, portanto não se sente completa, enxerga somente os fragmentos que lhe são conhecidos conscientemente e isso distorce a sua percepção.
Conhecer o todo, ou ao menos ter um vislumbre do todo, da criação, não é possível através do intelecto. A verdade não pode surgir do intelecto, pois ela não é linear, não pode ser traduzida. Pois que no momento em que há a tradução da verdade, ela deixa de existir. A verdade só pode ser experimentada.
Como disse Lao-Tzu: "A verdade não pode ser dita. Se é dita, não é a verdade”, ela pode apenas ser sentida, e somente através de nossos próprios filtros sensoriais e mentais. Até podemos tentar compreende-la através do intelecto, mas jamais será a verdade em si, apenas uma perspectiva dela. Por esse motivo é importante entender que o que chamamos de "eu" não tem uma existência objetiva, somente existindo como um reflexo ilusório da consciência primordial, como uma ideia em nossas mentes e não a verdade em si.
Quando nos fixamos na identificação obsessiva com este "eu" nos limitamos, nos fechamos para o total potencial de quem somos.
Com esse texto eu não quero dizer que não devemos usar o intelecto, muito pelo contrário, o que quero dizer é que devemos utiliza-lo da maneira adequada, sabendo sua função e suas limitações. Todos processos mentais tem sua utilidade, precisamos saber equilibrar, pois como diz o velho ditado Zen sobre a iluminação: "Não se pode atingir ao pensar. Não se pode atingir ao não pensar."
Há quem diga que apenas na "morte" do ego é possível haver felicidade, paz e liberdade. Mas será possível (e necessário) matar o ego?
"Aprenda a amar com todo o seu coração e aceitar o lado desagradável dos outros (e o seu).
Qualquer um pode amar uma rosa, mas é preciso ter um grande coração para incluir os espinhos."
- Ditado Budista
Documentário inspirado pelo livro de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson. "O Efeito Sombra" tem como tema principal o conflito entre quem somos e quem queremos ser, conflito que cada ser humano convive dentro de si. Aborda também a questão da Dualidade que vivenciamos na atual realidade, seja no mundo interno ou externo. Essa dança entre os opostos é necessária para existir qualquer tipo de interação e compreensão, pois se não há escuridão como podemos distinguir a luz? Se não há frio, como podemos dizer que algo é quente? Carl Jung fez uma observação interessante sobre esse fato: "Até mesmo uma vida feliz não pode existir sem uma medida de escuridão, e a palavra “feliz" perderia seu significado se não fosse equilibrada pela “tristeza". É muito melhor aceitar as coisas como elas vêm, com a paciência e equanimidade." Sinopse:
“Os monstros não dormem em baixo da sua cama, eles dormem dentro da sua mente”
O que é a Sombra? A Sombra é tudo aquilo que não queremos ser, mas somos. Todos nós temos um lado obscuro. É aquele sentimento escondido de todos, e aquele desvio de comportamento que uma pessoa considerada "boazinha" possui. É o desejo de se entregar ao vício, de explodir, de brigar. É toda a energia que tentamos não ter. Porém a Sombra é parte nossa, e por ser algo bom, mas escondida e excluída, pode transformar-se em maus pensamentos. Mas descoberta e compreendida, a Sombra nos levará ao caminho da plenitude! Sairemos da ilusão de que nossa obscuridade nos dominará e, em vez disso, veremos o mundo sob uma nova luz, uma nova perspectiva. A empatia que descobrimos por nós mesmos dará ignição para nossa confiança e coragem à medida que abrirmos nosso coração a todos ao nosso redor. O poder que desencavamos nos ajudará a confrontar o medo que esteve nos segurando e nos incitará a seguir adiante, rumo ao nosso mais alto potencial. Longe de ser assustador, abraçar a sombra nos concede uma inteireza, permite que sejamos reais, reassumindo nosso poder.
Documentário Completo e Legendado
Abaixo algumas citações do livro que achei relevante destacar.
"… O inconsciente não tem a ver com ‘eu’. Tem a ver com nós. Quando uma pessoa tem impulsos e ímpetos inconscientes, eles vêm de toda história da raça humana. Segundo Jung, cada um de nós está ligado a uma ‘consciência coletiva’, como ele assim chamava. A noção de que você e eu criamos nossos self separados e isolados uns dos outros é uma ilusão." Pág. 28 "A medida que nos tornamos mais presentes e alertas, começamos a ver quanto somos robóticos e encurralados nas personalidades que criamos. E podemos escolher tomar medidas proativas para lidar com as sombras que estão nos prendendo e tentar nos libertar. Não se iluda: se não lidarmos com essas sombras, elas lidarão conosco…" Pág. 132 "A sombra não tem apenas as nossas características sombrias, ou aquelas que a sociedade considera más. Ela também inclui todas as qualidades positivas que escondemos. Essas qualidades positivas são frequentemente citadas como ‘sombra iluminada’. Não sepultamos apenas nossas obscuridades, mas também nossos traços positivos – aspectos poderosos, amorosos e deliciosos… Podemos ter enterrado a genialidade, a competência, o humor, o sucesso ou a coragem. Talvez tenhamos escondido a autoconfiança, carisma ou força." Pág. 177
Lidando com a nossa sombra
Trabalhar com nosso lado sombra é de vital importância, tanto na vida cotidiana quanto na vida dedicada à Arte. Cada vez mais, percebemos que as pessoas têm a tendência de esconderem dos outros e de si mesmas, seu lado "escuro", mas não escuro de uma maneira pejorativa e sim no sentido de algo que foi escondido nas sombras da luz da consciência. Aprendemos, ao longo de nossas vidas, a mostrar para a sociedade somente o lado que a mesma deseja ver. Formamos nossa personalidade de acordo com as regras ditadas por ela e o que ela não gosta, nos escondemos, fechamos em um baú e jogamos a chave fora. Como para atingirmos certos objetivos na vida, nós precisamos seguir as regras sociais, nós acabamos criando um padrão, uma fachada para apresentar às pessoas, sejam nossos familiares, sejam nossos amigos ou sejam nossos conhecidos. E é por isso que fica tão complicado de trabalharmos com nossa sombra, nos apegamos a vários comportamentos e "verdades" que criamos para nós.
"Está tudo na sua cabeça"
Trabalhar com nosso lado menos agradável requer, antes de mais nada, maturidade. É preciso aceitar que temos defeitos antes de sairmos por aí acusando ou criticando as outras pessoas por suas atitudes que, por vezes, é a nossa atitude também. E tal ação é fundamental para aqueles que querem seguir o caminho da verdade. Para começar, é preciso parar, olhar para dentro de nós e analisar a fundo nossa personalidade: do que gostamos, do que não gostamos, como reagimos a certas situações, quais são as nossas atitudes instintivas, enfim, todas as atitudes que temos no momento em que nos relacionamos com os outros e com nós mesmos.
Precisamos entender nosso comportamento antes de meditar. Se nós não entendemos o motivo de termos determinadas atitudes, como vamos entender o por quê nós estamos realizando tal meditação, ou temos tal atitude? Temos que parar para analisar se o que estamos fazendo é bom parar nós ou é só para mostrar ao outro como somos poderosos ou como conseguimos tal resultado com facilidade. E é no ocultismo que observamos essas atitudes mais claramente. Podemos ver isso em qualquer lugar que haja pessoas denominadas Mestras e que queiram aparecer mais que os outros. É a legítima fogueira das vaidades.
É preciso que nós tenhamos total consciência desse lado “ruim” para que possamos trabalhar com ele e que possamos, então, evoluir espiritualmente, afinal, para haver a luz, é preciso haver também a escuridão (Analise sobre a Dualidade). Entender a si mesmo é um processo complicado e complexo que envolve tempo e determinação da pessoa que quer seguir um caminho equilibrado. É importante que, nesse caminho, nenhuma etapa seja pulada, pois poderão surgir lacunas nas quais faltarão algumas conexões e algum entendimento do que a pessoa esteja buscando.
Uma boa ocasião para a pessoa analisar-se é ver sua reação em determinada situação. Por exemplo: se a pessoa está em um grupo, como ela reage se alguém diz que conseguiu tal resultado? Sente inveja, ciúmes, raiva? Esses momentos são perfeitos para a pessoa fazer sua autoanálise, pois é na vivência e na prática que a pessoa pode se analisar diante de determinada ocasião. Por isso dizem que "um bom ocultista não é aquele que aparenta ser calmo, sereno, mas que fora do campo de visão dos outros se estressa facilmente e sai agredindo os outros, um ocultista de verdade, é aquele que entende a si mesmo, entende o motivo de ficar zangado em determinada situação e trabalha com esse sentimento para saber como lidar com ele seja em qual situação for. Um ocultista de verdade é aquele que tem os dois lados da mesma moeda em seu coração e sabe usá-los com justiça e consciência."
"Não existe como criar consciência sem dor. As pessoas farão de tudo, não importa o quão absurdo seja, para evitar encarar a própria alma. Não nos tornamos iluminados apenas imaginando figuras de luz, mas criando consciência da escuridão. Porém, esse procedimento é desagradável, portanto, não popular."
A única maneira de mudarmos o mundo de fato, é mudando a nós mesmos. Não adianta julgar e punir as pessoas por coisas que nós mesmos fizemos e fazemos ainda. Estamos todos passivos a errar, critique apenas de maneiras construtivas, jamais para machucar.
Não seja parte do problema, seja parte da solução, ao invés de derrubar, ajude a levantar.
Gostaria de encerrar esse artigo com uma tirinha e uma citação reflexiva:
“Quando uma pessoa faz você sofrer, é porque ela sofre profundamente dentro dela, e o sofrimento dela está vazando e se espalhando. Essa pessoa não precisa de uma punição, ela precisa de ajuda.”
Mr. Nobody é uma filme que traz questionamentos sobre a existência de realidades paralelas e como o tempo e espaço são ilusões da percepção dos organismos dentro dessa existência que chamamos de universo.
Através da vida de Nemo o filme nos ajuda a refletir sobre nossas escolhas e suas consequências, a existência do "Observador universal", que não é nenhum de nós (Nemo é ninguém em latim) mas ao mesmo tempo todos nós fazemos parte dele/dela/disso.
O filme trata o despertar da consciência de Nemo para sua multi dimensionalidade e existência fora do tempo e espaço, inicialmente sem um controle sobre os efeitos dessa percepção expandida, enquanto ao mesmo tempo nos mostra, de maneira abstrata, as simplicidades e complexidades dos comportamentos de nós humanos.
Trailer (legendado)
Tamanho: 1,52 GB Áudio: Inglês Legenda: Português OBS: Abaixo é um arquivo .Rar contendo o torrent e a legenda.
"Sr. Ninguém" (Mr. Nobody, 2009) é um surpreendente filme onde o diretor belga Jaco Van Dormael bebe nas fontes mitológicas do Gnosticismo basilidiano: um protagonista prisioneiro na principal falha cósmica do universo físico (a flecha do tempo) vê sua existência como um gigantesco hipertexto com diversos futuros alternativos resultantes das decisões. O filme narra a luta de um homem contra o caos e o aleatório que interferem no livre-arbítrio das decisões.
O que há em comum entre a Teoria das Cordas da Cosmologia, o Efeito Borboleta da Teoria do Caos, Futuros distópicos, a possibilidade da quase imortalidade, Entropia e a flecha do tempo, a impermanência da memória, morte, amor, segunda chance, missões para Marte e mágoas de um divórcio? Para o diretor belga Jaco Van Dormael são partes de um mesmo continuum: um protagonista (Nemo – Jared Leto) prisioneiro em um cosmos condenado pela flecha do tempo e pela entropia (todos os eventos são irreversíveis, tendem para o futuro e para um estado de dissipação de energia e desordem).
Um psiquiatra tenta compreender o mistério da vida daquele homem e submete-o a uma “antiga técnica”, a hipnose, para fazê-lo retroceder em sua memórias e estabelecer uma sequência linear até o momento atual. Porém, o que ele consegue e nós espectadores testemunhamos, é um imenso painel com linhas de tempo alternativas, como fossem hipertextos, onde cada escolha altera o futuro, pulando sucessivamente entre futuros alternativos assim como um trem pegando diferentes desvios entre linhas paralelas (imagem simbólica recorrente no filme).
Basicamente há três futuros alternativos constituídos a partir de três escolhas amorosas na adolescência que resultam em três casamentos diferentes. Tudo isso marcado pela mágoa da escolha impossível submetido no momento do divórcio entre seus pais: numa estação de trem teria que escolher com qual ficar. Ou com sua mãe que partiria no trem ou ficar com seu pai, na plataforma da estação.
Mas Nemo tem uma qualidade especial que torna a consciência de que a vida é feita por escolhas muito mais aguda e sofrida: ele foi esquecido pelos anjos antes de nascer e, por isso, não o concederam a “dádiva” do esquecimento.
Nemo narra em off que antes de nascermos sabemos tudo o que ocorrerá. Porém, antes, os anjos do céu colocam o dedo em nossos lábios, significando que esqueceremos tudo. Mas esqueceram de fazer isso com Nemo, que vem para a Terra com uma capacidade de prever o futuro resultante de cada simples escolha.
Por isso Nemo navega pela sua vida como um internauta em um hipertexto. As escolhas, desde as mais simples, como qual doce pegar numa festa de aniversário, até as mais complexas como, por exemplo, escolher com qual menina namorar, torna-se para ele impossível, já que todas as alternativas se equivalem, pois todas tendem para um único destino: a entropia, a dissipação, a crescente desordem e a morte.
Um tema difícil, abstrato e metafísico para ser trato em uma narrativa visual. Mas Van Dormael aborda o tema de forma surpreendente ao convergir linguagens de diversos gêneros como o Documentário, Ficção Científica, Realismo Fantástico e Romance. Apesar da sucessão dos instantes dos futuros alternativos na vida de Nemo, Van Dormael preenche cada plano com uma riqueza de detalhes e recursos estilísticos (fotografia, cor, slow motion etc.), dando intensidade emocional a cada simples momento, marcando o brilho e a importância de cada instante, embora todas as escolhas, no final, se igualem.
Mitologias Gnósticas
Fica evidente nas duas horas e treze minutos de “Sr. Ningém” que o roteiro de Van Dormael bebeu em fontes gnósticas Basilidianas. Se não leu textos gnósticos, o que é mais provável, o diretor provavelmente se sintonizou na mitologia gnóstica persistente nos tempo atuais por meio do repertório arquetípico que define a sensibilidade contemporânea.
Em primeiro lugar, o filme é carregado de referências à física quântica, teoria do caos e termodinâmica. Todo esse mix científico para confirmar a suspeita gnóstica: sim, Deus joga com dados o jogo do Universo, o cosmos é caótico, tende para um progressivo estado de desordem devido a um problema básico: a flecha do tempo. Não somos senhores de nossos atos, tudo depende de fatores imprevistos (como a sequência da gota de chuva que cai no papel – alteração climática provocada por um simples gesto de um desempregado do outro lado do mundo - que borra o número do telefone que o impedirá de encontrar Anna, criando mais um futuro alternativo).
A consciência aguda de Nemo o faz tomar consciência dessa imperfeição cosmológica. Como obra de um Demiurgo e não de Deus, o cosmos físico sempre será uma cópia imperfeita dos níveis superiores da Plenitude. O tempo e o devir são as principais imperfeições que aprisionam o homem nesse cosmos.
Em segundo lugar, o tema do esquecimento. O filme apresenta Nemo com outras crianças, antes do nascimento, em um fundo infinito, branco. “Antes de nascermos sabemos tudo que vai acontecer”, diz Nemo em off, no início do processo de regressão hipnótico ao qual é submetido no futuro de 2092. Pouco antes de nascermos “os anjos dos céus” nos impõem o esquecimento para, então, sermos enviados para a Terra. Na vida, passamos a acreditar naquilo que é descrito na epígrafe com que abre o filme: a “ superstição da pomba”.
Acreditamos que os nossos atos influenciam os acontecimentos, ideia desmentida pela consciência aguda de Nemo de que, na verdade, somos joguetes de fatores aleatórios. O esquecimento não nos permite ver essa inconsistência da realidade física.
E terceiro, e mais decisivo elemento gnóstico do filme “Sr. Ninguém”: o caráter artificial da realidade. Nemo é o clássico protagonista dos filmes gnósticos, prisioneiro é um construção artificial de uma realidade (há momentos “Show de Truman” no filme como sequências em que ele descobre que tudo ao seu redor - objetos, prédios - não passa de cenografia). O esquecimento imposto pelos “anjos do céu” (na verdade os Arcontes da mitologia gnóstica) e a imperfeição temporal nos faz sermos apegados a uma realidade que acreditamos ter controle.
Por isso a clássica exortação gnóstica “Acorde!” (repetida em diversas formas, sempre de passagem, ao longo do filme) para a necessidade do homem despertar do sono do esquecimento.
Gnosticismo Basilidiano
A gnose de Nemo vem do estado de suspensão em que parece viver ao longo do filme (por isso, ele parece ser “Ninguém”). Basilides acreditava que a linguagem e o pensamento racional faziam o homem cair vítima de escolhas por pares opostos: belo/feio, Bem/Mal, Certo/Errado. O Uno e a Plenitude são cindidos em qualidades opostas. Confinados nessa lógica binária ou identitária não conseguimos apreender os paradoxos, simetrias caóticas, ironias e a imperfeição cósmica do tempo. Por isso acreditamos sempre fazer escolhas regidas pela nossa vontade, decisão ou livre-arbítrio. Por acreditarmos sermos senhores racionais de si mesmos (“Penso, Logo Existo”), somos condenados ao esquecimento e não percebemos a estrutura imperfeita que rege o cosmos físico.
A gnose de Nemo, no estado de suspensão, recusa fazer qualquer escolha: pretende vivenciar, simultaneamente, todas as alternativas. Procurar o Uno naquilo que foi cindido. Por isso, numa sequência próxima ao final, a resposta Basilidiana de Nemo à escolha impossível após a separação dos pais: com qual ficar? Nemo traça uma terceira alternativa, um “tertium quid”. Nega as alternativas dadas pelo jogo, transcende-as e cria sua própria alternativa.
O filme nos faz lembrar a solução da lógica circular do clássico paradoxo grego do cretense mentiroso: um cretense afirma que todo cretense é mentiroso. Como ter certeza da afirmação se sabemos que todo cretense mente. Por outro lado, se mente, então está dizendo a verdade! Como solucionar esse paradoxo? Como Nemo resolve a escolha de alternativas que se anulam? A única solução está fora da jogada, em um nível lógico acima, onde Nemo compreende, de uma só vez, todos os caminhos possíveis do hipertexto da existência, a compreensão intuitiva do todo: a gnose.
O Filme Gnóstico europeu e norte-americano
Desde a década de 90, acompanhamos o fenômeno do filme gnóstico para massas, em produções norte-americanas hollywoodianas, do qual filmes como “Show de Truman” e “Matrix” tornaram-se um paradigma do gnosticismo pop. Na Europa o filme gnóstico se restringe ao gnosticismo Cult em filme “de arte” (como “Zardoz” ou “O Homem que Caiu na Terra” dos anos 70).
Exemplos de filmes gnósticos europeus atuais como “O Homem que Incomoda” e “Lunar” (veja links abaixo) parecem apontar para uma produção cinematográfica que pretende também popularizar a mitologia gnóstica. O filme “Sr. Ninguém” (uma co-produção Canadá/Bélgica/França/Alemanha) nos faz lembrar de uma estética mais hollywoodiana ou comercial encontrada em filmes como “Show de Truman”, “Donnie Darko” e “O Fabuloso Destino de Amelie Poulin”.
Porém as semelhanças entre o filme gnóstico europeu e norte-americano param por aqui. Enquanto filmes norte-americano atuais como “A Origem” e “Alice in Wonderland” de Tim Burton (verdadeiras apologias ao gnosticismo cabalístico das neurociências e ciências cognitivas) parecem perder o componente crítico dos filmes gnósticos que marcaram os anos 90, ao contrário, no cenário europeu o filme gnóstico mantém a narrativa mitológica do Gnosticismo clássico: o homem, submetido ao esquecimento, prisioneiro em um cosmos físico imperfeito criado por um Demiurgo.
Sinopse:"O vendedor de seguros Truman Burbank (Jim Carrey) vive em Seaheaven, um paraíso terrestre onde todos parecem conviver em perfeita harmonia. Mas, seu casamento com Meryl (Laura Linney) não anda muito bem e, pra piorar, ele sente-se constantemente vigiado. Decidido a investigar se realmente o estão espionando, Truman começa a perceber uma séries de situações estranhas, que aguçam ainda mais suas dúvidas e levam-no à descoberta: sua vida é um show de TV. Abandonado pelos pais ainda bebê, Truman é adotado por uma rede de televisão que o cria num mundo irreal: a cidade onde vive é um imenso cenário, sua esposa, amigos, vizinhos, todos são atores contratados. Sua vida é uma farsa, acompanhada por milhares de telespectadores. A partir de então sua luta é para libertar-se e poder viver verdadeiramente."
Não tenho certeza se o filme é uma representação simbólica da nossa realidade ilusória e do despertar da consciência ou uma satirização, mas de qualquer jeito é um filme interessante para refletir.
O Show de Truman cruza também com o filme Mr.Nobody na questão da existência de um observador permanente e que a nossa vida é uma ilusão, dependendo da perspectiva, como nos aprisionar ou para proporcionar a nossa existência como indivíduos separados do observador.
No ano de 1938, o então radialista George Orson Welles, que mais tarde seria responsável por um dos melhores filmes de todos os tempos, Cidadão Kane, produziu uma transmissão radiofônica chamada "A Guerra dos Mundos" de maneira tão intensa, que provocou pânico nos ouvintes, que pensaram tratar-se de uma verdadeira invasão alienígena. Mas a transmissão fora adaptada do livro homônimo de H.G. Wells, portanto não passando de uma bem sacada, embora um pouco irresponsável, "pegadinha".
Muito se fala sobre extraterrestres hoje em dia, a tal ponto que sua existência tornou-se algo caricata no inconsciente coletivo. As obras cinematográficas acabaram criando uma aura fantasiosa em torno do assunto que, como sabemos, de fantasia não tem nada. Os motivos para esse estado em que o assunto chegou não será mencionado aqui, pois este texto não trata de conspirações e nem do que ocorre nos bastidores do mundo atualmente, mas de um cenário hipotético de neutralidade de ambas as partes em um possível contato aberto, para que possamos analisar o contexto. Repito, o cenário é hipotético.
Nós sabemos que uma hora nossa civilização sairá do ponto cego do cosmos. Uma hora iremos finalmente entrar em contato oficial com outras civilizações. Quando digo oficial, refiro-me ao acontecimento aberto, para qualquer indivíduo, do mais simples ao mais cético. Não podemos dizer quando isso irá acontecer, podendo ser amanhã ou daqui a quinhentos anos.
Contudo, quando o contato enfim ocorrer, como essa humanidade atrasada e medrosa conseguirá lidar com isso? Sim, pois que somos uma raça atrasada, uma vez que ainda estamos segregados, ainda necessitamos dos sistemas político e monetário, ainda temos religiões, ainda temos líderes corruptos, ainda matamos uns aos outros, ainda deixamos nossos irmãos passarem fome, etc, etc, etc. Portanto, ainda estamos atrasados e ainda estamos cheios de medo.
Então como poderia esta humanidade lidar com outras civilizações? As pessoas comuns infelizmente mal vêem um palmo à frente de seus narizes por causa da engenharia social. E se ainda não sabem quem são, pois não praticam o autoconhecimento, certamente que o encontro com outras formas de vida será de um impacto tremendo para elas, dependendo então de suas crenças ou de seus estados de consciência o modo com que reagirão ao evento.
Os religiosos fanáticos, como já fazem hoje em dia, vão chamar essa civilização extraterrestre de exército de demônios. Os mais simples ficarão com medo, mas podemos dizer que por sua simplicidade, grande parte não vai nem ligar para o que esteja acontecendo neste mundão de Deus. Aliás, Deus ficará em alta nessa ocasião, pois que questionamentos filosóficos serão inevitáveis.
Os céticos ainda ficarão desconfiados, não há de ser de outra maneira. Os políticos logo entrarão com seus jogos diplomáticos, tentando aumentar seus poderes com alianças entre eles e o povo do céu. Os líderes religiosos tentarão a todo o custo serem os primeiros a encontrarem em suas escrituras sagradas algo que ligue suas religiões com os novos visitantes. Os seguidores da nova era possivelmente verão salvadores, mas encontrarão decepção quando descobrirem que não são os escolhidos.
Mas, sem dúvida, os que mais aproveitarão esse possível contato serão os cientistas e ufólogos, pois ambos finalmente irão caminhar juntos. A ciência terá sua prova e a ufologia seu merecido reconhecimento. E isso sim será algo positivo.
Todavia, o cenário pode ser mais complicado. Em 1938 houve pânico nas ruas. E o que a humanidade mudou de lá para cá? Evoluímos em tecnologia e nos direitos humanos, mas no cerne do homem, o que realmente mudou? Quase nada. O mundo apresentado aos olhos ainda é toda a realidade que o indivíduo comum conhece, ainda há os conflitos de interesse, de crenças e de filosofias; ainda há separações por cores de pele, por culturas e nações; ainda há muitas coisas a serem resolvidas.
Compreender que não estamos sós, não apenas de uma maneira teórica, mas ao vivo, vendo com os próprios olhos, causará no ser humano uma grande transformação intelectual e espiritual. Os que não estiverem preparados ficarão confusos, amendrotados e perderão seus rumos. Para aqueles que conseguirem lidar com isso, será uma grande oportunidade de evoluírem de maneira mais profunda.
Mas é preciso pôr os pés no chão. A humanidade como um todo não irá mudar de uma hora para outra. Tudo continuará como antes, contas e impostos a pagar, crianças passando fome, assaltos e sequestros, jogos de futebol domingo à tarde na televisão, etc, etc, etc. Todavia, o horizonte irá se ampliar. O que antes era um mundo limitado, tornar-se-á algo maior e isso sim irá causar uma mudança na forma como o homem encara a si mesmo e o mundo ao redor.
Não sabemos como a humanidade estará daqui a duzentos, trezentos anos, mas se esse contato se der no tempo de nossas vidas, esse é o cenário mais visível que podemos encarar. Afinal, não teremos amor em nossos corações para oferecer aos novos visitantes. Então, ofereceremos o que tivermos: crenças religiosas, condicionamentos psicológicos, egocentrismos filosóficos e intelectuais, patifarias políticas, desarranjos sociais, mentalidades bélicas, dramalhões socialistas, mediocridades capitalistas, desrespeitos pela própria espécie, entretenimentos fúteis, celebridades sem conteúdo, programas de televisão... etc... etc... etc...
Então, há a pergunta: o que fazer quando eles chegarem? Nada, pois que nada irá mudar a não ser possivelmente no íntimo de cada um. Não há de se ter medo, não há de se ter esperança, não há de se ter nenhuma ideia pré-concebida. Apenas aprenda a amar e a tolerar as pessoas, aprenda a amar a si mesmo. Descubra quem você realmente é. Sabendo quem você realmente é, nada mais lhe será exigido para lidar com essa nova realidade.
A humanidade irá ampliar sua visão, todavia apenas ela pode libertar-se dos grilhões do medo e da ilusão de si mesma. Não estamos sozinhos no universo, mas nossa evolução só depende de nós. Enquanto o homem não aprender a amar seu semelhante e a tolerar suas diferenças, as coisas continuarão do jeito que estão.
É preciso parar de olhar para o céu, e começar a olhar para dentro de si mesmo. Tópicos relacionados:
Série animada explicando a ciência por trás da espiritualidade, desmistificando os segredos guardados a milênios dentro dos nossos subconscientes. A série explica a existência de energia etérea, e mostra que seria matematicamente impossível a existência desse universo sem esse fator, fala por cima como essa energia funciona, explica a base da Geometria Sagrada e como ela se aplica a TUDO que existe, de uma maneira ou de outra. E acima de tudo mostra como é plausível a união entre a ciência e a espiritualidade. Só 15 episódios legendados estão aptos pra incorporar no blog até agora, quando tiver mais vou atualizar aqui.
Esse canal [X] colocou legendas embutidas pelo YouTube, essas legendas não aparecem no blog, mas se você entrar no YouTube pode ativa-las pelo botão "CC".
Aos que entendem inglês eu vou deixar o link docanal original.